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Nódulos Hepáticos

Diante do avanço tecnológico dos métodos de imagem, bem como a acessibilidade dos pacientes aos exames, independentemente de apresentarem sintomas ou não, é cada vez mais frequente o diagnóstico de lesões hepáticas consideradas como “incidentais”. Eventualmente os pacientes podem inclusive realizarem exames por outro motivo e acabar identificando uma lesão hepática.

Os nódulos hepáticos, podem ser únicos ou múltiplos e o grande objetivo é caracterizá-los como lesões benignas ou malignas.

 

Dentre os nódulos benignos podemos incluir as seguintes lesões:

·      Hemangioma Hepático

·      Hiperplasia Nodular Focal

·      Adenoma Hepático

 

Já as lesões malignas podemos citar:

·      Carcinoma Hepatocelular

·      Colangiocarcinoma

·      Metástase Hepática

 

É fundamental ressaltar que a maioria dos nódulos hepáticos diagnosticados de forma incidental e na ausência de fatores de risco, como por exemplo, cirrose, hepatites virais ou alcóolicas, são de fato NÓDULOS BENIGNOS.

 

A avaliação individual e especializada levando em consideração a história clínica do paciente, doenças prévias, hábitos de vida e sociais, bem como o aspecto radiológico do nódulo nos exames de imagem como ultrassom, tomografia ou ressonância são fundamentais para o diagnóstico preciso e estratégia de tratamento.

 

1. Hemangioma Hepático

 

O hemangioma hepático corresponde aos nódulos hepáticos mais comuns. Correspondem a cerca de 70% dos nódulos hepáticos diagnosticados.

 

Geralmente se apresentam de forma única, podendo ser múltiplos em alguns casos.

 

A prevalência deste nódulo na população em geral varia entre 3% a 20%. Há uma ligeira predileção pelo sexo feminino e pode surgir em qualquer faixa etária, sendo mais comum a partir da 3ª e 4ª década de vida.

 

Sua causa é desconhecida. Não há consenso sobre associação com hormônios para seu crescimento.

 

A grande maioria dos pacientes são assintomáticos. Em ocasiões específicas como hemangioma de grande tamanho, > 10 cm, podem ocorrer sintomas pela compressão de órgãos adjacentes ou próximos como o estômago, rins, etc.

 

Independente do tamanho do nódulo, nenhum tratamento é necessário. Não há risco de sangramento ou transformação maligna. O diagnóstico é feito na maioria das vezes através de ultrassom, sendo reservado os demais exames em caso de dúvida diagnóstica. A biópsia é contra-indicada.

 

Importante ressaltar que em indivíduos sintomáticos é necessário uma investigação detalhada para atribuir relação de causa e efeito. Na população pediátrica o hemangioma pode ser responsável pelo consumo de plaquetas ( Síndrome de Kasabach-Merrit ) e nesses casos pode ser necessário o tratamento cirúrgico.

 

2. Hiperplasia Nodular Focal

 

A Hiperplasia Nodular Focal é uma lesão hepática decorrente da proliferação de hepatócitos ( células do fígado ) por conta de um hiperfluxo arterial.

 

É a segunda lesão hepática mais comum. Sua prevalência é estimada em 3% na população em geral. Do mesmo modo que o hemangioma seu diagnóstico é mais comum entre a 3ª e 4ª década de vida. Acomete predominantemente o sexo feminino é há dúvidas em relação ao efeito hormonal em seu desenvolvimento e crescimento.

 

Estas lesões são na sua grande maioria únicas, mas podem estar presentes em associação com outras lesões benignas como o hemangioma e o adenoma hepático.

 

A maioria dos pacientes portadores de HNF são assintomáticos e estas lesões são pequenas, < 5 cm. Como o HNF é uma lesão benigna e não sofre transformação maligna o tratamento cirúrgico não é necessário.

 

O surgimento de sintomas, bem como ruptura ou sangramentos são raros e eventualmente necessitarão de algum procedimento cirúrgico.

 

O grande desafio é saber diferenciar uma hiperplasia nodular focal de um adenoma hepático. Para isso o exame recomendado é a realização de 

Ressonância Magnética com uso de contrastes hepatoespecíficos, como por exemplo o Primovist, além da consulta especializada.

 

3. Adenoma Hepático

 

O Adenoma Hepático corresponde a 3ª lesão benigna que acomete o fígado. É um tumor raro cuja prevalência é inferior a 1% na população em geral. Há uma incidência predominante no sexo feminino ( relação de 10:1 em comparação com o sexo masculino ).

 

Esta lesão merece atenção especial pelo risco de complicações: sangramento e transformação maligna para Carcinoma Hepatocelular.

 

O adenoma hepático apresenta uma íntima relação com ação hormonal, principalmente o estrogênio. O uso de contraceptivos orais, anabolizantes esteróides favorecem o seu desenvolvimento e crescimento.

 

Os adenomas hepáticos são classificados de acordo com subtipos ( atualmente conhecemos 8 subtipos ), alguns relacionados a maior chance de sangramento e outros relacionados ao risco de transformação maligna.

 

A complicação mais frequente dos adenomas é o sangramento que pode ocorrer em até 25% dos casos. Já a transformação maligna para Carcinoma Hepatocelular ocorre em até 5% dos casos. Os principais fatores relacionados ao desenvolvimento de malignidade são sexo masculino, uso de esteróides, tamanho > 5 cm e o subtipo Beta-catenina mutado.

 

Devido as estas considerações é imprescindível a avaliação especializada e seguimento adequado dos pacientes portadores de adenoma para evitar as possíveis complicações.